Pensou em ser pássaro, queria voar.
E ainda que as asas fossem emprestadas, sentir-se dona do ar.
Voou em parapente, helicóptero, aeronave, foguete.
Mas mesmo com tanta paixão, tinha medo da falta de chão.
Suas mãos ficavam frias, suavam; sentia o coração disparar.
Desistiu do sonho de Ícaro, concluiu ser melhor sossegar.
Mas precisava de um novo sonho, ser diferente do rebanho.
Resolveu então nadar, mas não como nada um humano.
Mergulhou em piscina, rio, aquário, oceano.
E optou por viver no mar, fazer dele seu habitat.
Mesmo sem barbatana ou escama, decidiu que seria peixe.
Feliz da vida, contente, escolhera deixar de ser gente.
(Poupée Amélie)

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