“Ninguém vai resolver a minha vida, pagar as minhas contas, me colocar no colo e dizer não-te-preocupa-que-vai-passar. Uma hora alguma coisa me chacoalhou por dentro, me balançou, me fez abrir os olhos e entender que tudo é passageiro. Hoje eu sou uma e amanhã posso ser outra. A gente vai aprendendo com o tempo, os dias, as marés. E esse aprendizado vira marca, vira tatuagem, vira história de vida. Carrego no peito todos os sorrisos e lágrimas que já distribuí. Levo na alma todos que me são fundamentais. Trago comigo as boas lembranças e algumas marcas e cicatrizes que não se desfazem com o passar do tempo. Sei que um dia tudo vai ficar mais claro, mais tranquilo, mais cheio de harmonia. E torço para que todas as pessoas consigam perceber que não importa o que elas façam ou da onde elas venham, no fundo somos todos iguais. Querendo ou não.”
— Clarissa Corrêa.
Porque os pensamentos não respeitam os limites. Liberdade para as opniões, pensamentos, ideias, críticas. O mundo precisa de voz, de liberdade, das ideias que revolucionam, de pessoas com coragem para fazer a diferença.
sexta-feira, 28 de junho de 2013
sábado, 22 de junho de 2013
sexta-feira, 21 de junho de 2013
É claro que não me arrependo. Você vai ficar dentro do meu coração como uma lembrança de um tempo bom, afinal, era isso que você queria. Então, foi feita a sua vontade. Nesse meio tempo, muitas pessoas passaram pela minha vida. Algumas não tocaram tanto o meu coração, mas o fato é que às vezes é preciso viver de realidade. E foi ela que me salvou.
Clarissa Corrêa
Clarissa Corrêa
“No primeiro dia pensei em me matar. No segundo, em virar padre. No terceiro, em beber até cair. No quarto, pensei em escrever uma carta para Marcela. No quinto, comecei a pensar na Europa e no sexto comecei a sonhar com as noites em Lisboa. Em seis dias Deus fez o mundo e eu refiz o meu.”
— Brás Cuba
— Brás Cuba
quarta-feira, 19 de junho de 2013
Um dia eu parei de ter medo. Não, não parei, um dia eu fingi que parei de ter medo. Virei atriz, decorei o texto e fui farsante pra ver até onde essa vida me levava. Deu certo, de tanto acreditar numa coisa ela acabou acontecendo. De tanto fingir não-tenho-mais-medo o medo ficou se sentindo deslocado, ignorado e foi-se. Não levou roupa nem escova de dente, apenas abriu a porta e foi embora pra outra dimensão.
Clarissa Corrêa
Clarissa Corrêa
Não percebi a chegada do outono. Mas eu sentia que estava embarcando numa nova estação: todas as árvores que (não) plantei, de repente, estavam nuas. E eu caminhava num tapete de folhas e flores. Os caminhos também se estreitaram e tive uma sucessão de perdas, ou melhor, tive uma sucessão de trocas. E assim, como toda pessoa que tem um coração pulsando, fiquei assustada demais com as mudanças. Mas agora já consigo perceber beleza na nudez de cada uma das minhas árvores prediletas. Elas apenas estão trocando de roupa enquanto eu troco de pele, tamanha cumplicidade.
Marla de Queiroz
Marla de Queiroz
Sou tímida. Um montão de gente ri quando falo isso, mas sou tí-mi-da. Só quem me conhece a fundo sabe. É que sou o tipo de gente que todo mundo pensa que conhece. Mas se enganam feio. Pouquíssima gente me desvenda. Mostro só o que quero. Não por maldade, mas por proteção. A gente tem que aprender a se proteger. Das escolhas dos outros. E até mesmo das nossas próprias escolhas.
— Clarissa Corrêa.
— Clarissa Corrêa.
"Eu não tenho medo de voar. Eu tenho medo de estar fechada num lugar e de ter escolhido estar fechada nesse lugar. Tenho medo porque meus pés sentem o chão mas ele é falso. Meus pés sempre me obrigam a sentir a verdade e eu sou obrigada a dizer a eles que aquele chão não dura e nem é de terra. Tenho medo do absurdo que é sorrir e dizer "guaraná normal e sem gelo, grata" enquanto se quer dizer "quemerda é essa de estar voando se não sou a porra dum passarinho?". Tenho medo porque quando acabar estarei em outro lugar. Agora, se eu pudesse escolher o maior de todos os medos, eu diria "a chance disso cair agora é muito pequena". Estou sobrevoando, sem inteligência, a água profunda que aprendi a chamar de casa mas também de intervalo. A verdadeira angústia de voar é estar acima da nossa vida. Voar é tornar nossa rotina banal. Estou voando há dias, de primeira classe, com vista para o desenho de um país que não sei o nome. Ao lado de uma pessoa que, até que enfim, não é mais uma barrinha de cereal."
sexta-feira, 14 de junho de 2013
“O fim é um labirinto cheio de caminhos que são saídas. O fim é o começo indo embora. Não é um adeus: é um “a gente se encontra por aí”. O fim é a incerteza cheia de esperança. É alegria ansiosa, é sorriso nervoso. Todo fim deve ser comemorado: todo começo deve ser esquecido: o fim é o começo dizendo tchau. O fim é os sonhos com insônia. Não é desesperar: é não esperar. Não é revolta: é não há volta. O fim é ter a sorte de ser o primeiro da fila de cirurgia e o azar de precisar se operar com 97% de chance de morrer.”
quinta-feira, 13 de junho de 2013
"A vida adota o seu rumo. Sigo adiante sem prumo. Nem sempre a gente suporta até o final. Com o tempo tudo desfaz. Desejos e sonhos não bastam. É preciso querer, insistir e agir. Ir adiante até o fim. A mente deseja, o corpo padece. Num ciclo contínuo de sensações, pois tem horas que o corpo deseja e a mente padece... Infelizmente, a renúncia anuncia o fim! Com o fim decretado, as cores desbotam. A poeira encobre o brilho. As rugas mapeiam. Registram os sinais do tempo. Muito em breve, não sobrará mais nada. Nem mesmo uma marca. Basta querer esquecer! Porque lembranças se apagam, lágrimas secam e sorrisos travam. Porque a gente esquece o que fez. O passado fica distante. O que era já foi e nunca será outra vez. Ninguém ficará aqui pra contar essa história. Então, o que resta é a escolha do adeus. Renuncio a lembrança de outrora. Renuncio o meu papel nesta história. Renuncio para continuar a viver! E viver é lentamente morrer sem querer."
Jani Moreira
sábado, 8 de junho de 2013
Se quiserem saber se pedi muito
Ou se nada pedi, nesta minha vida,
Saiba, senhor, que sempre me perdi
Na criança que fui, tão confundida.
À noite ouvia vozes e regressos.
A noite me falava sempre sempre
Do possível de fábulas. De fadas.
O mundo na varanda. Céu aberto.
Castanheiras douradas. Meu espanto
Diante das muitas falas, das risadas.
Eu era uma criança delirante.
Nem soube defender-me das palavras.
Nem soube dizer das aflições, da mágoa
De não saber dizer coisas amantes.
O que vivia em mim, sempre calava.
E não sou mais que a infância. Nem pretendo
Ser outra, comedida. Ah, se soubésseis!
Ter escolhido um mundo, este em que vivo,
Ter rituais e gestos e lembranças.
Viver secretamente. Em sigilo
Permanecer aquela, esquiva e dócil.
Querer deixar um testamento lírico
E escutar (apesar) entre as paredes
Um ruído inquietante de sorrisos
Uma boca de plumas, murmurante.
Nem sempre há de falar-vos um poeta.
E ainda que minha voz não seja ouvida
Um dentre vós, resguardará (por certo)
A criança que foi. Tão confundida.
Hilda Hilst, em “Testamento lírico”.
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