Ela se fez forte. Não ligou, não chorou, não se lamentou.
Fechou-se em um mundo irreal de onde não queria mais sair. Era cômodo não sentir dor.
O tempo foi passando e os dias esfregando a dura realidade na cara, na alma e no coração. Aquilo que ela fingidamente aceitara sem dor, começava a incomodar.
E o mundinho começou a ruir... Tudo desabara em sua cabeça. Realmente tinha sido deixada para trás, tal qual poeira no deserto... Agora era o seu coração que estava deserto...
E isso doeu, doeu tão fundo... Mais ela aguentou. Calou a dor com um sorriso e tocou uma melodia bem intensa, como que tentasse incubar mais uma vez aquele turbilhão de sentimentos guardados de outrora.
Foi derrubada por si mesma.
A dor de não ter desabafado agora lateja. Na mente, o arrependimento de não ter esbravejado, chingado e esperneado quando deveria.
Ela desejou sumir. Ela desejou morrer.
Não por conta do acontecido. Mais por conta de sua pseudo-burrice de ter guardado para si o veneno que deveria ter sido injetado em sua presa.
Não deu o bote. Agora agoniza com sua propria dose letal.
Não morrerá, mais matará dentro de si aquele que deveria ter sido enterrado a tempos.
Dentro de si a certeza de que, ao se levantar, estará ainda mais forte!
(Meu Mundinho Violeta)

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