Existem momentos que me sinto acorrentada por mim mesma, me sinto incapacitada de me ajudar. Existem momentos que a morte me fascina, ela as vezes me parece tão doce e suave que sinto vontade que ela toque meu rosto. E esses pensamentos me assustam me apavoram, me dão medo. Como pode uma pessoa desejar a morte? A angústia em que hoje me encontro sufoca-me a alma, tira-me a paz, falta-me a vontade de viver. E isso tudo por quê? Busco as respostas que meu coração precisa, mas nada encontro somente um vazio, um abismo que parece me puxar para dentro dele, e como se fosse um ímã eu estou indo. Não consigo recuar, é tão assustado o escuro que vejo, é a única coisa que está à frente dos meus olhos. Esse abismo que também me parece sedutor, me seduz e estou cada vez mais próximo dele. Tenho tentado recuar, mais tem sido em vão, pois a cada passo que dou, está sendo em direção a essa imensa escuridão que vem me perseguindo já há algum tempo. Será que conseguirei livrar-me dele? Será que serei capaz de lutar sozinha contra esse desconhecido que ao mesmo tempo em que me intimida me fascina também? Confesso que a cada segundo que passa me sinto mais tentada a mergulhar de vez nesse desconhecido, de sair desse lugar que parece sugar minhas forças, que me tira a vontade de permanecer viva. Será que lá, onde habita o desconhecido é pior do aqui, onde vivo hoje? Já não agüento mais minha companhia, já não me suporto mais. O meu silêncio na verdade grita, o meu sorriso está inundado de lágrimas, os meus dias estão sujos de sangue. O sangue que está jorrando de minha alma. E eu estou me afogando em lágrimas e sangue, já não estou conseguindo carregar essa dor que me consome. Queria poder explicar exatamente o que sinto o que se passa dentro de mim, mas o abismo está me chamando, ele não me dá tempo para pensar, para fugir. Ele me quer. E eu pareço querer ele também. Mas do que adianta não querê-lo, se é involuntário? Se caminho para ele, sem ao menos que eu perceba? Mas vejo-o cada vez mais próximo de mim, já estou sentindo seu sopro em meu rosto, suas mãos quase que me tocam, seu abraço está quase me envolvendo. Espero que tenha tempo de fugir (não sei se quero fugir), pois sei que uma vez dentro dessa escuridão, não tornarei a ver a luz. Meus olhos estarão fechados para vida, não poderei mais sorrir para ninguém (não fará falta para ninguém), meu rosto não mais sentirá o toque suave do vento, nem ouvirei mais o canto doce dos pássaros. Não verei mais os olhos que fazem meu coração palpitar, não sentirei mais a emoção de conseguir vencer. Mas também não ouvirei mais os choros do meu coração, não sentirei mais a dor de perder as pessoas e coisas que amo, não verei mais o sofrimento estampado no rosto da mulher que me deu a vida, não sentirei mais o frio que só um abraço sincero pode aquecer, não sentirei mais as lágrimas queimando meu rosto, nem facas imaginárias apunhalando-me pelas costas. Afinal, por que não pular de vez nesse abismo? Por que não ir conhecer o desconhecido? Ele me atrai tanto, e ele se sente profundamente atraído por mim. Por que não saciar o desejo que sentimos um pelo outro? Eu faria alguma falta para os que permanecerem? Tenho algum diferencial na vida de cada um deles? Sinto-me como se fosse o ser mais inútil do universo. Eu nada acrescento na vida de ninguém, pelo contrario, as vezes acho que sou um fardo que eles tem que carregar. Por que não por um fim no sofrimento de todo mundo? E se alguém chegar a sofrer com isso, logo passará, logo novas pessoas chegarão em suas vidas, e minha insignificante ausência será rapidamente esquecida. É, é algo a se pensar, é algo sedutor, algo atraente, que a cada dia me fascina mais e mais. Talvez o que me espera amanha não é o que me esperou hoje, nem o que esperou ontem. Pode ser que esse desconhecido venha e finalmente me leve com ele. Estou apenas vegetando, não vivo mais já tem algum tempo. Agora vejo o sol brilhar, mais é a escuridão que está próxima de mim. O sol é apenas para aqueles que encontram nele, motivos para viver, eu vejo nele motivos para me esconder.
Dizem que viver é uma escolha nossa, não só discordo como sou a prova de que nem sempre isso depende de nós. Não tenho mais o controle sobre mim, nem sobre o que chamam de vida.

''Por que não por um fim no sofrimento de todo mundo? E se alguém chegar a sofrer com isso, logo passará, logo novas pessoas chegarão em suas vidas, e minha insignificante ausência será rapidamente esquecida. É, é algo a se pensar, é algo sedutor, algo atraente, que a cada dia me fascina mais e mais. Talvez o que me espera amanha não é o que me esperou hoje, nem o que esperou ontem. Pode ser que esse desconhecido venha e finalmente me leve com ele. Estou apenas vegetando, não vivo mais já tem algum tempo.'' Descreveu-me, perfeitamente.
ResponderExcluirNos dias que não estamos bem conosco mesmo, nem com os outros e muito menos com a vida, sentimos todos as mesmas coisas, mas de forma diferente. Mas não se preocupe Danne, dias assim parecem insuportáveis, mas eles acabam em 24 horas, e amanhã pode ser tudo diferente,e acredite, será !
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